Sobre voar mais alto

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Meados de 1999. Lembro como se fosse ontem o dia em que a “tia” da turma do Jardim 2 pediu para que nós nos fantasiássemos. As crianças imediatamente correram e foram pegar suas fantasias na grande sala conhecida como brinquedoteca. Menos eu. Estava indecisa, como sempre. Aliás, a fantasia que gostaria de usar não tinha. Era uma girafa. Eu adorava girafas e sempre fazia o desenho desse animal. Amarela, com suas diversas manchas marrons espalhadas pelo corpo. Não havia um motivo, apenas gostava, por tudo, por nada. Lembro que pensei em outro animal, uma borboleta. Isso, eu seria uma borboleta com direito a asas grandes e coloridas, como nos desenhos animados, mas surgiu a duvida: “Como?”

A tia se aproximou. Me perguntou qual a fantasia de animal eu usaria. Eu disse a ela que queria ser a borboleta, mas que assim como a girafa também não havia. Ela apenas sorriu. Não lembro muito bem o rosto dela, mas recordo que ela me disse que se eu queria ser uma borboleta, eu SERIA uma borboleta.

Ela se afastou e quando voltou trouxe uma cartolina grande e rosa. Aquelas seriam as asas. Cortamos e decoramos a tal cartolina. Estava pronta. Era só o que eu precisava: asas. Ela ainda deu um jeito de prende-las no meu corpo e imediatamente eu saí correndo, como se fosse voar, como se eu pudesse voar. E eu podia, pois acreditava naquilo. Então eu fui. Eu voei e ainda tenho voado.

A imaginação da asas, e no meu caso, literalmente. Muitas vezes pensamos que não podemos voar, seja pelas dificuldades ou até mesmo por preguiça. Às vezes basta um empurrãozinho, como a tia fez comigo. Hoje as asas cresceram e o voo ficou mais alto e até mais difícil ás vezes, mas muito mais bonitos.

Hoje o voo segue outros caminhos, outras rotas e até pousos diferentes, mas que nunca se acabam, pois a borboleta está sempre em busca de outros jardins, outras flores. Ela gosta de explorar, por tudo, por nada.

Que voemos, sempre!

Por: Bruna Pereira.

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[642 coisas] Hey, mãe!

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Ela está sentada em seu sofá estampado com figuras do tipo vintage assistindo a tv. Mas ela só está olhando, pois assim como eu, sua cabeça está bem longe. Pode estar pensando no que fará no almoço de amanhã ou na casa que embora arrumada, ela ainda acha que pode haver algo fora do lugar.

Ela é pequena. Se tiver 1,60 ainda é muito. Imagino que possua um pouco menos que isso. Ela possui olhos pequenos, porém expressivos. Você saberá logo de cara se a agradou ou não. É que seu olhar a entrega. Se cerrou os olhos, é porque está desconfiada, mas calma lá pois se ela gostou de ti você se sentirá a pessoa mais amada do mundo, e também se sentirá um pouco incomodada com isso.

Assim como eu ela aparenta ser calma, mas só aparenta mesmo. Por dentro um turbilhão de emoções e pensamentos a todo instante. Sua mente não para um minuto, e quando o faz é para agradecer a vida. Ela faz isso durante a madrugada. Enquanto ela faz isso eu somente escrevo. Nossas madrugadas são diferentes.

Com tv ainda ligada ela levanta para dar uma conferida na panela que está ao fogo. Tudo está sob controle. Logo retorna a seu sofá, mas levanta novamente pois esquecera a luz do cômodo que acabara de visitar, acesa. Engraçado, pois também faço isso. Durante o noticiário ela comenta algo sobre o que acabara de ver. Teimosa que é logo começa uma pequena discussão, mas que não dura muito tempo. Falta paciência e sobra preguiça para discutir.

O telefone toca e a conversa é prolongada, como sempre. Ao terminar ela vai em direção a geladeira, abre a porta da uma olhada em seu interior, mas por fim não pega nada. Era só o tédio que a fez abrir. Então retorna a seu sofá e se acomoda, a fim de terminar o que começara a assistir. Eu apenas observo. Num pequeno intervalo de tempo posso ver seus olhos querendo fechar e ela insiste em mante-los aberto, algo que não funciona muito e nem por muito tempo.

Digo a ela que deveria se deitar. Ela insiste em dizer que não está com sono. Aham, sei. Passam-se alguns minutos e finalmente ela se entrega ao sono. Levanto, desligo a tv e a cubro, como quando ela fazia comigo. Á observo por um breve momento e penso o quanto somos parecidas, fato que gera alguns atritos. Pois é, ela tem a personalidade forte. Quando coloca algo na cabeça não há raio que o tire, característica que me foi herdada também. Sorrio por um instante e me volto à ela. Ajeito novamente seu cobertor e volto a escrever.

Boa noite, mãe.

Por: Bruna Pereira

Esse texto faz parte do Projeto 642 Coisas sobre as quais Escrever- Tema 180

[642 coisas] Onde houver marcas também haverá histórias

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É a tarde de um dia qualquer. Ando pelas  ruas da cidade comportada por um clima agradável de inverno. Não faz frio, o sol é acolhedor e agradável. A movimentação de pessoas pelas ruas de paralelepípedos velhas que guardam uma história, é pouca. Observo as poucas casas, que nesta altura já estão em ruínas, imaginando o que poderia ter acontecido por ali. Há uma casa grande e cinza cercada por um muro com portões antigos tomados pelo mato que insistem em crescer e esconde-la. Ela me faz querer conhece-la.

Sigo meu caminho observando os prédios, estes sim predominantes na cidade. Muitos deles foram reformados, mas ao olha-los percebo sua estrutura antiga. Os apartamentos parecem ser grandes e frios e que no passado suponho que seus interiores pudessem ser escuros. Hoje sua pintura é de cor clara, posso ver pela janela entre aberta as paredes brancas de um cômodo qualquer.

Mais a frente vejo o parque da cidade. Assim como ela, muito antigo. O  portão que o cerca é tomado por folhagens que fazem  lembrar o “jardim secreto”.  Sou impulsionada a entrar ao parque. Quase como um convite do qual eu não tive chance de recusar.  Simplesmente entrei.

Logo no centro do parque há um pequeno e formidável chafariz, mas não há água saindo dele. Provavelmente essa teria sido cortada há alguns anos. Seguindo mais há frente observo as árvores que por sinal eram velhas e lindas, algumas até poderia ver sua raízes, como se quisessem sair do solo. À  esquerda se aproximam os bancos, espalhados num espaço consideravelmente  grande. Não há muitas pessoas, mas vejo que há um senhor sentado em um deles. Ele está de costas para mim, usando um pequeno chapéu preto,  e em sua mão direita posso ver uma bengala. Me aproximei.

Ele tinha a pele clara e manchadas pelo tempo. Não  era magro, mas também não era gordo. Apresentava marcas de expressões significativas em seu rosto. Sua camisa manga longa deixava suas mãos descobertas, na qual  haviam veias ressaltadas e pequenas manchas rosas. Imaginei que poderia ter histórias para contar, assim como as casas antigas e os prédios de interior escuro.

Percebendo minha presença, sou convidada a sentar ao seu lado. Como se tivesse lido meus pensamentos, pergunta se eu estou  interessada em ouvi-lo. Logo digo que sim. Ele se apresentou e seguiu a conversa contando sobre a sua infância na qual adorava ler jornais antigos afim de descobrir o que se passava nos anos que o antecederam.

Tínhamos algum em comum, pensei. Ele continuou a conversa e contou sobre um amor que teve em seu passado. Disse que ela possuía cabelos longos e escuros como os meus, e seus olhos eram cor de amêndoas doces. Sim. Amêndoas doces, porque toda vez que ela sorria seus olhos sorriam antes, eram doces e acolhedores. Foi assim que ele os definiu.

Eu sorri.

Ele continuou a contar a sua história, disse que inclusive este era o parque que eles se encontravam as escondidas. Disse ainda que o chafariz deste parque era o que ela mais gostava, ela tocava a água com as pontas dos dedos, como se quisesse conferir a temperatura da mesma, que por sinal sempre se encontrava similar.

Sua história de amor não teve o final que ambos esperavam, pois assim como Romeu e Julieta, suas famílias também era rivais. Ela acabou se casando e ele também. Ambos seguiram sua vida. Ele teve três filhos: dois meninos e uma menina. Dela não se soube e nem nunca mais viu, mas seus olhos cor de amêndoas doces, desse ele não esqueceu, e nem poderia.

Era incrível como ele contava. Num dado momento me parecia que esquecera que eu estava ao seu lado, pois as pausas eram longas como se tivesse refletindo sobre o que me acabara de falar. O sentimento era de saudade.
Dou-me conta que o  fim da tarde se aproxima e me despeço do pequeno senhor de nome Pedro. Ele sorri e agradece por eu ter ouvi-lo.

Quem agradece sou eu, senhor Pedro.

Por: Bruna Pereira

[642 coisas] Do latim, Amor.

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Já dizia Warren Barfield: O amor é proteção, o amor é paz (ouçam a musica estupidamente maravilhosa dele aqui).

Se procurarmos a palavra “amor” no dicionário encontramos diversas definições, dentre elas a seguinte: “Amor é um sentimento de carinho e demonstrações de afeto que se desenvolve entre seres que possuem a capacidade de o demonstrar. O amor motiva a necessidade de proteção e pode se manifestar de diferentes formas: amor materno ou paterno, amor entre irmãos (fraterno), amor físico, amor platônico, amor à vida, amor pela Natureza, amor pelos animais, amor altruísta, amor-próprio, etc.”

É muito mais fácil sentir e viver isso do que falar dele. Mas vamos, la! rs.

O amor está nas pequenas coisas, aquelas que as vezes nem nos damos conta, sabe? Pois é, exatamente ali. Amor é quando você sai apressado de casa e lembra-se que esqueceu o guarda-chuva, mas depois vê que alguém o deixou bem ali em sua bolsa (bjs,mãe), é quando você chega em casa 5 vezes e seu cachorro faz festa nessas 5 vezes que você chegou para recebe-lo, amor é quando você come uma coisa tão boa que guarda um pedaço pra alguém querido, porque coisas boas é para serem divididas.

O amor é isso. O amor é carinho, é dedicação, preocupação. O amor é festa, e até brigas ás vezes, mas pelo bem. Amor é querer o bem, fazer o bem a quem amamos. Ele está presente no domingo a tarde enrolados no sofá, no pudim que embora tenha saído meios estranho, mas que foi feito com carinho, ele está presente naquele conselho que seu amigo lhe deu ou até mesmo naquele puxão de orelha que foi necessário, ah, e como foi. Porque nem sempre o amor será expressado por palavras, e besta como somos acabamos não percebendo o amor nestas coisas. Mais do que palavras são atitudes, estas pequenas, porém singelas atitudes.

Como disse o nosso amigo Obama: “Love is Love.”

Por: Bruna Pereira.

[642 coisas] Aquela moça sou Eu.

9d829066936f7abef3b7b48da0ae1aa4 De longe a observo caminhar. Cabelos longos e lisos, naturalmente escuros como a noite, sempre a perguntam se ela os pinta. Caminhando sempre como que está com pressa, ela odeia que andem devagar a sua frente. Um pouco distraída, de vez em quando ela olha para trás, afim de garantir que não tem ninguém seguindo-a. Seus olhos são pequenos, e quando ela sorri eles ficam menores ainda. De um tom castanho escuro, mas ela queria que fossem pretos. A maçã de seu rosto é ressaltada, seus lábios são largos e fartos, graças a sua descendência indígena. E ela gosta disso.

Ela atravessa a rua e ao mesmo tempo dá uma olhada no céu admirando e quando ele ta escuro, ela faz uma pequena prece pedindo para que não chova, pois ela detesta chuva. Sempre preferiu sol e praia. Morena clara, ela pega cor facilmente. Ao final de sua travessia vejo-a indo em direção ao ponto de ônibus um tanto afobada, pois vê que seu ônibus logo vem atrás. Um sorriso tímido e sem jeito ela da bom dia ao trocador e vai um pouco pra o fundo afim de se sentar, mas não muito, pois teme se assaltada e acredita que pessoas que assaltam sentarão no fundo para observar a todos e depois dá o anuncio do assalto. Sim, ela parece ser um pouco paranóica.

Sentada a lado da janela, observa a paisagem já fotografada por sua mente. O vento é forte, então ela está sempre passando a mão sobre seus cabelos para não caírem sobre sua face. Atitude inútil, pois continua a ventar forte. Logo ela fecha sua janela e encosta a cabeça sobre o vidro pensando sobre o que o dia a espera. Lembra que esqueceu de algo, como quase sempre, ela pensa.

Seu destino se aproxima. Ela da sinal e prepara-se para levantar. Com cuidado é claro, pois sabe o quão desajeitada é e que pode sair pisando em quem sentou ao seu lado. Ufa. Ela finalmente salta e novamente da uma olhada para o céu. Passa na frente de uma loja com portas de vidro e observa seu reflexo nela. Ajeita seu cabelo como de costume, da uma olhada á suas costas e segue seu caminho.

Essa moça sou eu.

Por: Bruna Pereira.

Para Fazer: Decoração com Papel Contact

Semana passada estava olhando um blog (aqui) com dicas de decoração e acabei gostando das dicas de decoração com papel contact, e acabei fazendo também! Você pode usar o papel contact em cômodas, guarda-roupas, paredes, enfim, em vários lugares que ele já da um charminho especial no local como um todo.

Abaixo umas decorações que vi aí pela internet e gostei:

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Pra quem tá enjoado da sua cômoda sem graça. Fica um charme!

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A “árvore” neste caso deu mais descontração e cor no ambiente.

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Podemos alternar nas estampas também, pois fica uma graça.

Também quis dar um ar descontraído na minha cômoda (ela é tão sem graça, coitada rs), mas sem enfeitar muito. Ainda to pensando se coloco o papel contact nas gavetas de forma alternada. Por enquanto ela ficou assim:

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Coloquei apenas do lado (por enquanto), mas já deu mais “vida” e ficou mais bonitinha também, rs.

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Aqui os detalhes.

Bom, não ficou aquela aquela coisa NOSSA, QUE LINDA PARECE NOVA, mas ficou bonitinha. A estampa que escolhi foi essa de fundo preto com essas florzinhas rosas. Na verdade não tinha muita opção de escolha, comprei numa papelaria, mas se você procurar bem acaba encontrando uma mais bonitinha. Então, fica a dica pra vocês, beijos. Por:Bruna Pereira.

Feliz Dia dos N[amor]ados.

Namorados, n[amor]ados. Porque o amor se encaixa perfeitamente aqui. Ele também se encaixa no brilho do meu olhar ao senti-lo junto a ti. Porque todas as vezes que estamos juntos o amor está presente. Como naquele domingo tedioso deitados no sofá espremidos que é pra caber os dois juntos. Como nos dias em que você pergunta se eu ja comi, e se a reposta for negativa você diz que irá preparar alguma coisa então. É também quando você liga que é pra dizer que ta com saudade, melhor ainda quando aparece do nada. O amor está presente também em suas palavras. É quando você diz “vai, você consegue”. O amor está presente em seu olhar cuidadoso, quando em meio a conversas na mesa de bar, você procura o meu, que é pra você verificar se eu to bem. Se sim, então você prossegue com a conversa, mas sem deixar de pousar seus olhos sobre de mim de vez em quando. O amor esta aí. No cuidado, no carinho, nos pequenos gestos diários. Porque o dia dos namorados é apenas uma data. Sorte a minha de você faz valer essa data todos os dias, mesmo que as vezes não me dou conta, porque sou “avoada” . Mas sabe, não deixo de notar. O amor é abrigo, e antes de tudo ele é amigo. Ele é companheiro, e olha, as vezes ele é até bobo, mas só pra te fazer rir. Então, se tudo isso que é o amor ta dentro do namoro, meu amigo, então ta tudo certo. Então posso dizer: Feliz dia dos Namorados, porque esse sim é feliz…

Por: Bruna Pereira.