Aquele que me ajuda a fechar os portões da vida

Francisco 2

Francisco Pereira, 52 anos. O oitavo de 10 irmãos. Para uns Chico. Ou Chicão. Para mim, pai.

O cara de riso fácil, bem humorado e que por vezes encontra mil maneiras de dizer a mesma coisa. Só pra ter certeza que entendi direito. Para encontra-lo é fácil, é só achar um jornal. Com certeza ele estará por perto. Nascido em Timbuí, norte do Estado, mudou-se para Vitória aos 20 anos.

Francisco1

Estudar nunca foi sua praia. “Não tinha vontade, não gostava”, diz ele. Trinta e cinco anos depois ele resolveu retomar os estudos. Ano de 2017. Ano de recomeço.

Agora na terceira série do ensino fundamental, com uma bagagem repleta de histórias e conhecimentos da vida para contar, ele almeja mais: “um futuro e uma vida melhor”. E embora ainda esteja no início da vida escolar ele já sabe a faculdade que deseja fazer. Administração. “Organizar, tomar conta de uma empresa, buscar a perfeição”, afirma.

Francisco 4

Um homem sonhador e que adora conversar. Ele está sempre sorrindo, mostrando “as pérolas”, como ele mesmo diz. Otimista, pois com ele não tem tempo ruim. É mais saudável e melhor para alma pensar positivo. Esses dias comentei com ele que não estava conseguindo fechar o portão do prédio (que por sinal é horrível), e ele me perguntou se eu estava pensando positivo na hora que tentava fechá-lo. Eu ri. “Minha filha tudo que você for fazer na vida, você tem de acreditar que essa coisa vai dar certo. Faz isso hoje na hora de fechar o portão”. Concordei rindo e apenas disse “ok”.

Fiz o que ele sugeriu. Não consegui de primeira, mas assim como ele fez com seus estudos, recomecei. Não deu outra. Não é que o danado tinha razão?

Sempre seguindo em frente, sempre sorrindo e com pensamento otimista. Assim ele vai encarando os desafios que aparecem no caminho. E segue nos ajudando a fechar os “portões” da vida. Seu nome? Francisco.

Francisco 3

Texto e foto: Bruna Pereira.