[Des]encontros Primaveris

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Mas um dia como um outro, aparentemente. O relógio de parede velho continua o mesmo a marcar as horas que insistem em passar lentamente. E lá esta ela, ansiosa. Como se algo pudesse acontecer, pois a vida dela era assim, mudava do dia pra noite. Como o mar, quando calmo, sabe- se que há uma tempestade a chegar, e com ela suas reviravoltas. Assim era sua vida.

Sem avisar, ele chegou. Chegou não, retornou. Como sempre ia e vinha sem nunca parar, sem nunca ficar. Pareciam estar predestinados a ficarem juntos, mas sempre havia algo que os fazia se desencontrarem nesses encontros que a vida lhes oferecia.

Dessa vez foi diferente, pois ele avisou que vinha. Coração acelerado, como se tivesse acabado de correr uma maratona, mas era só o conteúdo de uma mensagem que proporcionara tal sensação. Ele voltou, pensou ela. Logo dariam um jeito de se encontrar.

Naquele dia escolhido para o encontro iniciava-se a primavera. Flores enfeitavam seu caminho, assim como enfeitavam sua alma, pois ela acabara de florescer com a possibilidade do reencontro, do toque. E lá foi ela caminhando entre as flores afim de encontra-lo. Ele já a esperava. Seu rosto logo se abriu num grande sorriso, embora ela quisesse disfarçar. Tola, sabia que era inevitável.

Palavras não foram pronunciadas, não havia necessidade. Seus olhos já diziam tudo. Tudo que havia de rancor, de magoa foi calado num abraço saudoso de quem um dia já havia repousado ali. A saudade e o desejo foram selados num beijo ansioso. Não havia como negar, os dois ainda guardavam sentimentos e amores um pelo outro da primavera passada, aquela a qual chegava ao fim.

Eles se amaram, e se amaram novamente. Eles se pertenciam, e ambos sabiam disso. Embora a noite se aproximava e a primavera iria acabar há uns meses, eles sabiam que hora ou outra iriam se encontrar. Ela não quis pensar nisso, fechou seus olhos então.

As flores foram embora. O verão havia chegado…

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