Outro Olhar: Marina Abramovic

Hoje o post vai ser um pouquinho diferente, aliás, essa será uma nova categoria: “Outro Olhar”. Nessa categoria vou falar sobre coisas que vi e gostei e  coisas que  vi e precisei olhar novamente para gostar (risos), acho que entenderam, né!? Ok, vamos lá.

Esses dias o professor de História da Arte nos apresentou um mini documentário sobre a Marina Abramovic. Na verdade foi sobre sua exposição: Marina Abramovic: The Artist is Present. Marina é uma artista performativa, nascida na Sérvia.   “Seu trabalho explora as relações entre o artista e a plateia, os limites do corpo e as possibilidades da mente.”

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Logo no inicio deste documentário eu fiquei surpresa, tipo AI MEU DEUS ESSA MULHER É LOUCA, mas logo essa ideia saiu de minha mente. Afinal, o que é arte? A Marina questiona muito isso, usando seu corpo como instrumento de seu trabalho, sua arte. Afinal o corpo pode sim ser considerado uma arte, e porquê não? E por que não usa-lo? É isso que ela faz. Marina usa seu corpo em suas performances, de diversas maneiras: dando sua cara a tapa LITERALMENTE (você pode encontrar esta performance aqui) ou até mesmo gritando com seu parceiro aqui. Mas o que isso representa?

No meu ver ela representou as relações, onde nem sempre serão flores, hora ou outra você entrará em um conflito com seu parceiro, é claro que vocês não irão se bater (espero que não), mas vejo que ela quis mostrar a intensidade das coisas. Causa um certo choque? Sim, mas depois você entende, passa a enxergar com outros olhos.

Uma outra performance que vi e também gostei foi a : “Art must be beautiful, Artist must be beautiful” . Vejam o vídeo primeiro → 

Ok, no começo eu pensei, GENTE, ELA VAI ARRANCAR OS CABELOS, TA DOIDA DE NOVO. Sim, eu admito pensei isso sim. Porém enquanto ela faz isso ela diz uma frase, na qual ela repete a todo momento “A arte deve ser bonita, o artista têm de ser bonito”, ela faz uma crítica. Afinal, a arte deve ser bonita, o artista DEVE ser bonito? O que é bonito, o que é arte?

Assim como a beleza tem suas peculiaridades a arte também tem. E o que ela passou pra mim foi isso. A arte é feita dos olhos de quem a ver. Posso ver arte em uma coisa que uma outra pessoa talvez não veja. E ela pode ser intensa, assim como Marina em suas performances, e isso é incrível. Isso é arte.

Então convido vocês a conhecerem e comentarem o que achou, juro que vocês se interessarão (risos). Vamos ter outro olhar, vamos olhar de novo! É isso. Fiquem a vontade.

Ah, o documentário que vi foi esse aqui.

bjs, Bruna.

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Sobre voar mais alto

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Meados de 1999. Lembro como se fosse ontem o dia em que a “tia” da turma do Jardim 2 pediu para que nós nos fantasiássemos. As crianças imediatamente correram e foram pegar suas fantasias na grande sala conhecida como brinquedoteca. Menos eu. Estava indecisa, como sempre. Aliás, a fantasia que gostaria de usar não tinha. Era uma girafa. Eu adorava girafas e sempre fazia o desenho desse animal. Amarela, com suas diversas manchas marrons espalhadas pelo corpo. Não havia um motivo, apenas gostava, por tudo, por nada. Lembro que pensei em outro animal, uma borboleta. Isso, eu seria uma borboleta com direito a asas grandes e coloridas, como nos desenhos animados, mas surgiu a duvida: “Como?”

A tia se aproximou. Me perguntou qual a fantasia de animal eu usaria. Eu disse a ela que queria ser a borboleta, mas que assim como a girafa também não havia. Ela apenas sorriu. Não lembro muito bem o rosto dela, mas recordo que ela me disse que se eu queria ser uma borboleta, eu SERIA uma borboleta.

Ela se afastou e quando voltou trouxe uma cartolina grande e rosa. Aquelas seriam as asas. Cortamos e decoramos a tal cartolina. Estava pronta. Era só o que eu precisava: asas. Ela ainda deu um jeito de prende-las no meu corpo e imediatamente eu saí correndo, como se fosse voar, como se eu pudesse voar. E eu podia, pois acreditava naquilo. Então eu fui. Eu voei e ainda tenho voado.

A imaginação da asas, e no meu caso, literalmente. Muitas vezes pensamos que não podemos voar, seja pelas dificuldades ou até mesmo por preguiça. Às vezes basta um empurrãozinho, como a tia fez comigo. Hoje as asas cresceram e o voo ficou mais alto e até mais difícil ás vezes, mas muito mais bonitos.

Hoje o voo segue outros caminhos, outras rotas e até pousos diferentes, mas que nunca se acabam, pois a borboleta está sempre em busca de outros jardins, outras flores. Ela gosta de explorar, por tudo, por nada.

Que voemos, sempre!

Por: Bruna Pereira.

[642 coisas] Hey, mãe!

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Ela está sentada em seu sofá estampado com figuras do tipo vintage assistindo a tv. Mas ela só está olhando, pois assim como eu, sua cabeça está bem longe. Pode estar pensando no que fará no almoço de amanhã ou na casa que embora arrumada, ela ainda acha que pode haver algo fora do lugar.

Ela é pequena. Se tiver 1,60 ainda é muito. Imagino que possua um pouco menos que isso. Ela possui olhos pequenos, porém expressivos. Você saberá logo de cara se a agradou ou não. É que seu olhar a entrega. Se cerrou os olhos, é porque está desconfiada, mas calma lá pois se ela gostou de ti você se sentirá a pessoa mais amada do mundo, e também se sentirá um pouco incomodada com isso.

Assim como eu ela aparenta ser calma, mas só aparenta mesmo. Por dentro um turbilhão de emoções e pensamentos a todo instante. Sua mente não para um minuto, e quando o faz é para agradecer a vida. Ela faz isso durante a madrugada. Enquanto ela faz isso eu somente escrevo. Nossas madrugadas são diferentes.

Com tv ainda ligada ela levanta para dar uma conferida na panela que está ao fogo. Tudo está sob controle. Logo retorna a seu sofá, mas levanta novamente pois esquecera a luz do cômodo que acabara de visitar, acesa. Engraçado, pois também faço isso. Durante o noticiário ela comenta algo sobre o que acabara de ver. Teimosa que é logo começa uma pequena discussão, mas que não dura muito tempo. Falta paciência e sobra preguiça para discutir.

O telefone toca e a conversa é prolongada, como sempre. Ao terminar ela vai em direção a geladeira, abre a porta da uma olhada em seu interior, mas por fim não pega nada. Era só o tédio que a fez abrir. Então retorna a seu sofá e se acomoda, a fim de terminar o que começara a assistir. Eu apenas observo. Num pequeno intervalo de tempo posso ver seus olhos querendo fechar e ela insiste em mante-los aberto, algo que não funciona muito e nem por muito tempo.

Digo a ela que deveria se deitar. Ela insiste em dizer que não está com sono. Aham, sei. Passam-se alguns minutos e finalmente ela se entrega ao sono. Levanto, desligo a tv e a cubro, como quando ela fazia comigo. Á observo por um breve momento e penso o quanto somos parecidas, fato que gera alguns atritos. Pois é, ela tem a personalidade forte. Quando coloca algo na cabeça não há raio que o tire, característica que me foi herdada também. Sorrio por um instante e me volto à ela. Ajeito novamente seu cobertor e volto a escrever.

Boa noite, mãe.

Por: Bruna Pereira

Esse texto faz parte do Projeto 642 Coisas sobre as quais Escrever- Tema 180